Musical Gypsy em São Paulo

16 07 2010

O produtor teatral David Merrick folheava a revista Harper’s quando ficou boquiaberto com um artigo: era um capítulo do livro de memórias da lendária stripper Gypsy Rose Lee, publicado naquele mesmo ano de 1957. Trata-se de uma história extraordinária, sobre a menina que, ao lado da irmã, era empurrada pela mãe obsessiva para uma improvável carreira de sucesso no teatro de vaudeville, mas, por conta das circunstâncias, tornou-se famosa em “shows para adultos”.

De posse do material, Merrick convocou uma trinca de ouro (o escritor Arthur Laurents, o diretor e coreógrafo Jerome Robbins e o compositor Stephen Sondheim), que já grafara seu nome na história da Broadway dois anos antes com o clássico West Side Story, para criar um grande musical. Assim nasceu Gypsy, que se tornou eterno já em sua estreia em 1959 e cuja versão nacional chega ao Teatro Alfa, em São Paulo, a partir do dia 23, em uma realização da Aventura Entretenimento.

“Era um clássico que há anos pretendíamos montar no Brasil”, conta o diretor Charles Möeller, responsável pela montagem ao lado de Claudio Botelho. “E, por se tratar de um dos maiores espetáculos da história da Broadway, encaramos como o maior desafio da nossa carreira.”

Não é exagero – durante cerca de três horas, a trajetória da mãe e suas duas filhas em busca do glamour é pano de fundo para apresentar a profunda mudança de perfil do show biz americano durante a Grande Depressão, iniciada nos anos 1930, quando o vaudeville e seus espetáculos mais ingênuos perderam espaço para o burlesco, com seu traço mais erótico.

Curiosamente, essa modificação não é revelada com a ascensão de Gypsy, a menina sem graça que se transforma na mulher que passa a ter os homens a seus pés, mas a partir da trajetória da inescrupulosa matriarca, Mamma Rose, cujo sonho de glamour para as filhas se transforma em frustração. É justamente esse detalhe que foi decisivo na carreira do musical – para o temido crítico de teatro do New York Times, Frank Rich, Gypsy seria “a resposta do teatro americano a Rei Lear, de Shakespeare”.

Para ele, se Lear vive uma relação conturbada com suas três filhas, Mamma Rose (aqui interpretada por Totia Meirelles) não se cansa até transformar uma de suas filhas – inicialmente June (Renata Ricci) e, depois, Louise/Gypsy (Adriana Garambone) – em uma grande estrela do teatro de variedades. E, no final, tal qual Lear, a mãe sente-se abandonada.

Para representar um furacão como Mamma Rose, portanto, era preciso uma atriz de qualidades elásticas. Na estreia americana, em 1959, a dinastia foi iniciada pela voz potente de Ethel Merman, seguida de Angela Lansbury, Rosalind Russell, Bette Midler, Tyne Daly, Bernadette Peters até chegar a Totia Meireles, surpreendente a cada segundo que está em cena.

Totia assume características das grandes personagens femininas da escrita mundial (o tormento de Blanche Dubois, o sonho frustrado de Bernarda Alba, a ambição de Lady Macbeth) para transformar Mamma Rose em um personagem sagrado.

“É uma mulher tragicômica, que permite ousadias na interpretação”, conta ela, que precisou fazer corrida e a musculação para garantir o fôlego necessário para as canções e o turbilhão de frases disparadas por Mamma Rose. “Mais que o físico, minha preocupação era com o cansaço vocal, pois temia chegar sem voz na apresentação de domingo à noite.”

Assim, começou a exercitar as cordas vocais a fim de mantê-las intactas até a última sessão da semana – e, durante a temporada de sucesso no Rio, Totia não decepcionou nenhuma vez, a ponto de ser indicada para o prêmio de Shell de teatro na categoria de atriz, junto de Marcelo Pies (figurino) e a dupla Flávio Salles e Janice Botelho (remontagem, adaptação e criação das coreografias).

Gypsy – Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho). Tel. (011) 5693-4000. Quinta, 21h; sexta, 21h30; sáb., 20h; dom., 17h. R$ 60/R$ 140. Estreia dia 23/07.

Fonte: IG Último Segundo

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Gypsy – Audições para Crianças

14 05 2010





Gypsy Brasil

30 04 2010

Antes de Dita Von Teese, a glamazon americana que namora roqueiros e estampa editoriais fashion, houve Gypsy Rose Lee. Pense em Marilyn Monroe saindo do bolo para Kennedy, em Rita Hayworth encoberta pelo glamour de Gilda ou em Madonna em “Dick Tracy”. É possível que você identifique nas três – construídas a partir do estereótipo de pin-up à la Jessica Rabbit – os elementos popularizados por esta stripper que chacoalhou os cabarés americanos nos anos 40. E que, a partir de hoje, vai chacoalhar o palco do Teatro Villa-Lobos com a estreia de “Gypsy”.

Gypsy talvez tenha sido a primeira pin-up de um mundo que nem lembra direito o que elas foram e nem imagina que alguém já tenha se deslumbrado com um joelho ou pedaço de coxa – opina Botelho.

Baseado na autobiografia de Gypsy Rose Lee, lançada nos Estados Unidos em 1957, o espetáculo foi montado pela primeira vez na Broadway em 1959, por um time de bambas. As músicas são de Jule Styne, o texto é de Arthur Laurents, as letras, de Stephen Sondheim, e a coreografia, de Jerome Robbins – os três últimos assinam juntos “West Side Story”.

Os três transformaram a história de uma menina sem graça que virou referência de glamour num espetáculo considerado por especialistas um dos maiores clássicos do gênero. O temido crítico teatral Frank Rich, do “The New York Times”, por exemplo, escreveu que “Gypsy” seria “a resposta do teatro americano a ‘Rei Lear“, de Shakespeare. A comparação é simples: se Lear vive uma relação conturbada com suas três filhas no clássico do Bardo, a inescrupulosa matriarca Mama Rose (interpretada nesta montagem pela atriz Totia Meirelles) não se deixa deter até transformar uma de suas filhas – inicialmente June (Renata Ricci) e, depois, Louise/Gypsy (Adriana Garambone) – numa grande estrela do teatro de variedades. Não saiu exatamente como planejado, mas…

Acostumados a superproduções, Möeller e Botelho cortaram um dobrado com a grandiosidade de “Gypsy” e suas dezenas de figurinos, cenários e atores. Uma saga e tanto, que exigiu oito semanas de ensaios, quando “ser caxias foi fundamental”, nas palavras de Möeller: “Para fazer musicais com grande estrutura é preciso ser extremamente disciplinado, senão a gente é tragado pelos prazos.”

Botelho, diretor musical e responsável pela versão brasileira das canções, conta que a transposição da atmosfera correta das músicas originalmente escritas em inglês prossegue ao longo dos ensaios. “Algumas palavras são modificadas até o último momento antes da estreia” – explica o diretor, que traz no currículo versões de musicais igualmente clássicos como “A Noviça Rebelde” e “O Fantasma da Ópera”.

Serviço:
Estreia dia 30 de abril
Temporada de 30 de abril a 27 de junho
De quinta e sexta, às 21h. Sábados, 19h. Domingos, às 18h.
Teatro Villa-Lobos
Av. Princesa Isabel, 440 – Copacabana. Tel: 2334-7153.
Ingressos (temporada) a R$ 60 (qui), R$ 70 (sex) e R$ 80 (sáb/dom).
Lotação: 463 lugares
Duração: 150 minutos (com intervalo)
Classificação etária: 10 anos

Fonte: O Globo (por Ronald Villardo)





Gypsy Brasil – O Personagem June

22 03 2010

Interpretada pelas atrizes Joana Bas, Hannah Zeitoune, Thayani Campos e (na versão adulta) por Renata Ricci, a personagem June passa por uma transição no tempo e vai amadurecendo durante o espetáculo.

Embora seja um personagem no musical Gypsy, a história de June é real e a própria está viva para contar sua história.

Desde pequena, já participava do show business em shows e espetáculos musicais em conjunto com Louise.

Mesmo adulta, June é obrigada pela mãe a agir como criança pois o espetáculo que a dupla se apresenta, possui esse caráter infantil, o que causa uma revolta da personagem no decorrer do espetáculo.

Clique aqui para assisir a um video da Evoé Produções (Edgar Duvivier e Paulo Pessanha) publicado no site Moeller & Botelho.

Fonte: Moeller & Botelho